11 de Janeiro, 2010
As tragédias de Angra dos Reis e da Ilha Grande, ocorridas na passagem do ano, trouxeram para as manchetes dos jornais a questão das ocupações irregulares de encostas. Uma semana antes, encoberta pelo corre-corre dos festejos natalinos, se realizava a primeira transferência de famílias ocupantes da Serra do Mar, próximo à Cubatão. Em contraponto à tragédia, elas foram beneficiadas pelo projeto paulista de recuperação ambiental que beneficiará, principalmente, os moradores dos bairros Cotas, constituídos desde a construção da via Anchieta, na década de 40.
As 20 famílias que passaram o Natal em suas novas moradias em São Bernardo do Campo resultam da primeira ação efetiva de transferência das 5.350 famílias que serão deslocadas da Serra do Mar, projeto iniciado no primeiro mês de gestão do governador José Serra. Nos dois primeiros meses deste ano, mais 800 famílias dos bairros Cota 400, Cota 200, Água Fria, Pilões, Sítio Queiroz e Pinhal do Miranda também se mudarão para moradias na Baixada Santista e em São Bernardo do Campo. Com uma novidade: as famílias escolherão em qual município desejam residir. Isto porque levantamento do CDHU revelou que muitos dos moradores das cotas trabalham na Grande São Paulo e outros em municípios da Baixada que não o de Cubatão, o que os beneficiará ao ficaram mais próximos do emprego.
Ineditismo - O projeto de recuperação da Serra do Mar prevê também a manutenção de 2.410 famílias que, embora residam na região, se encontram fora de áreas de risco. Os locais que ocupam, porém, serão totalmente reurbanizados. Outras famílias, que vivem em risco iminente, como os moradores do chamado Grotão, nas proximidades do Cota 100, serão retiradas e realocadas para moradias com aluguel financiada pelo CDHU.
Segundo técnicos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Projeto de Recuperação da Serra do Mar representa o maior benefício, com deslocamento de pessoas por motivos ambientais, realizado no mundo. Envolve as Secretarias do Meio Ambiente, Habitação e Segurança Publica e seus órgãos vinculados. Após a saída dos moradores, a recuperação da vegetação se dá na seqüência da remoção dos entulhos. Serão plantadas dezenas de espécies nativas da Mata Atlântica, escolhidas entre aquelas de rápido crescimento. O projeto também dará a Cubatão uma marca definitiva da sua recuperação, pois na área onde hoje se localiza o bairro da Água Fria será construído um Jardim Botânico. Ele simbolizará uma virada de página no capítulo da poluição, marcando definitivamente a recuperação das condições ambientais do município, tão maltratado pelo “desenvolvimentismo” dos anos 70.
Um novo cartão postal da cidade. Verde.
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VOCÊ SABIA?
> Xico Graziano declarou guerra aos lixões de São Paulo. Essa é uma das suas várias “brigas do bem”, como ele diz.
> Xico Graziano já pesquisava tecnologias alternativas e possuía uma horta de orgânicos nos anos 70, quando pouca gente falava de ecologia.
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