22 de Janeiro, 2010


A economia verde do futuro

Aconteceu de tudo na conferência ambiental promovida pela ONU na Dinamarca. Temas variados desfilaram nos eventos paralelos, enquanto representantes dos governos nacionais pouco se entenderam na sala da reunião oficial. Vale a pena destacar aqui as principais questões discutidas.

Primeiro, claro, o aquecimento global. Ninguém duvida que o planeta esteja enfrentando um “efeito estufa” ampliado pelos gases que, em razão da ação humana, ou antrópica, aprisionam parte da radiação solar na atmosfera. Medidas urgentes e radicais serão necessárias para estancar o problema até 2050. O gás carbônico (CO2), nunca considerado maléfico na agenda da poluição, agora se transforma em vilão.

Segundo, debateu-se intensamente sobre como financiar as políticas de mitigação do fenômeno climático. Mudanças nos processos de produção, pesquisa de novas tecnologias, investimentos nas energias renováveis, combate ao desmatamento — quem vai pagar a conta dessas imprescindíveis ações? Os países mais pobres, em desenvolvimento, querem que as nações ricas banquem a modificação de suas economias.

Terceiro, discutiu-se bastante sobre a responsabilidade da lição de casa. Governos, empresas, entidades ambientalistas, governos subnacionais, cientistas — será necessário articular as forças da sociedade em prol do benefício ambiental. Os Estados de São Paulo e da Califórnia se sobressaíram, mostrando, por intermédio de seus governadores, José Serra e Arnold Schwarzenegger, a força do poder local. Pensar globalmente, agir localmente: chave para a educação ambiental.

Em quarto lugar, todos defenderam a necessidade de as propostas para enfrentar mudanças climáticas serem mensuráveis, reportáveis, conferíveis. Há que ter metas, cronogramas, recursos, gente capaz de conduzir as políticas de defesa ambiental. Ninguém aguenta mais o discurso carregado de boas intenções.

Quinto, as energias renováveis destacaram-se contra as energias fósseis do petróleo e do carvão. Nesse aspecto, o Brasil avançou divulgando o etanol, combustível elaborado a partir da biomassa.

Copenhague não configurou um fracasso total. Quando milhares de pessoas, bem acima das expectativas, representando entidades variadas, se dedicam tão apaixonadamente a uma causa, como acontece atualmente com a política ambiental, o resultado aparece. Se não de imediato, firma-se no momento seguinte.

As mudanças estão em marcha. Modifica-se o padrão da economia mundial. Empresas redefinem suas estratégias competitivas, governos reveem seus planos, a sociedade grita e empurra.

Tomara que neste 2010 uma governança global se firme para enfrentar o terrível drama do aquecimento planetário. No Brasil a torcida deseja que as eleições presidenciais incorporem o desenvolvimento sustentável no seu âmago. Um avatar ambiental. A economia verde do futuro.

Xico Graziano é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
 


Fonte: Correio Popular - Campinas

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> Xico Graziano escreveu oito livros e publica artigos regularmente no jornal O Estado de São Paulo. A paixão pela escrita sempre o acompanha

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