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Blog do Xico no OP

30/01/2012

O historiador Marco Antônio Villa (MAV) escreveu um artigo pretensioso e equivocado, publicado recentemente no jornal O Estado de S Paulo (Oposição  sem rumo, 28/01), afirmando de FHC faz uma análise “absolutamente equivocada” da conjuntura brasileira. Mais ainda, arrolou 6 fatos históricos para comprovar que “esse tipo de reflexão nunca foi o forte” de FHC.

Inconformado com os absurdos do professor da UFScar, imediatamente o desafiei, aqui no Observador Político, para um debate público, querendo saber  se ele sustenta seu ponto de vista. Eu estive ao lado de FHC nos 6 acontecimentos citados, e vou rebatê-los um a um, expondo minha versão aos  internautas da rede do Observador.

1. Segundo MAV, em 1985 FHC “achou que ganharia fácil de Jânio Quadros, e perdeu”. Ora, somente um estúpido da política poderia  achar que era fácil um neófito em eleições majoritárias vencer aquela eleição municipal contra o mito Jânio. Tanto é que o PMDB da época mobilizou todos os municípios paulistas para vir em caravanas para a capital ajudar na reta final das eleições. Pesou, decididamente, poucos dias antes da eleição, a repercussão negativa da entrevista dada por FHC ao jornalista Boris Casoy falando sobre sua fé em Deus. Por fim, nossa inexperiência eleitoral impediu fiscalizar devidamente o processo de apuração dos votos, onde consta ter havido grande roubalheira. FHC perdeu, mas ganhou projeção nacional e seguiu a carreira que o levou à Presidência.

2. Segundo MAV, embora FHC criticasse o governo Sarney, em 1996 somente “foi eleito senador graças ao (plano) Cruzado”. Maldade pura. Mário Covas e FHC se elegeram em dobradinha para o Senado com enorme votação graças à sua história de vida, na luta pelas liberdades democráticas, contra o arrocho salarial promovido pela ditadura. Além do brilho do governo de Franco Montoro.

3. Segundo MAV, em 1991 o então senador FHC “lutou para que o PSDB fizesse parte do governo de Collor”. Não é verdade. Quem acompanhou os dilemas da política naquela época sabe que a iminência da crise institucional obrigou os congressistas a dialogarem sobre os caminhos da República e, nesse processo, FHC e Tasso Jereissati foram interlocutores de Collor. FHC jamais “lutou” pelo adesismo, mas sim pela busca de saídas para fortalecer a  recém-conquistada democracia brasileira. Mário Covas, mais reticente às conversas com o poder, esteve sempre ao seu lado nesses dias confusos e  atribulados. Ambos não eram bocós como imagina o ingênuo professor.

4. Segundo MAV, FHC não queria, “de forma alguma, aceitar o cargo de ministro da Fazenda” de Itamar Franco. Meia verdade. FHC estava feliz com seu posto de Chanceler, mas sua proximidade com Itamar, sua capacidade de interlocução política e seu brilho intelectual o haviam levado a ser uma espécie de “primeiro ministro” do governo. Sua nomeação não foi tão surpreendente assim e, ao assumir a Fazenda, exercitou tal função de coordenação com maior capacidade ainda. Daí saiu o Plano Real, que mudou o Brasil.

5. Segundo MAV, em 2005, no auge da crise do mensalão, FHC “capitaneou o movimento que impediu a abertura do processo de impeachment contra Lula”. Achava melhor deixá-lo “sangrando”. Outro dia FHC falou em debate da Folha sobre esse episódio. Ele confirmou que se opôs à tentativa de derrubada de Lula por supor que isso poderia criar uma fenda imensurável na sociedade brasileira, pois se vitoriosa a ação seria entendida como uma articulação das “elites contra os operários”. Os professores de história contarão no futuro esse fato de forma mais generosa que o vaidoso docente em questão.

6. Segundo MAV, é um absurdo que agora FHC tenharesolvido “defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial com antecedência de 2 anos, uma espécie de dedazo”. Primeiro, FHC não defendeu nenhum candidato do PSDB. O que fez foi, ao analisar o quadro político interno do PSDB para 2014, dizer que o óbvio é uma obviedade, ou seja, que tudo indica ser Aécio Neves o próximo candidato, pois assim deseja majoritariamente o partido. a imprensa, fazendo seu papel, traduziu em manchete.

Segundo, e por fim, quero eu entender do sabichão professor: onde está escrito que é errado um partido definir um candidato com antecedência?! O PT fez isso com Lula durante 16 anos, e nada indica que tenha errado na estratégia.

A palavra está aberta.